Pouco tempo atrás rolou essa entrevista com o Firen, pra Rádio Anhanguera Educacional (www.unianhanguera.edu.br), como parte do projeto de integração das faculdades. Agora, a Rose gentilmente transcreveu TUDO para uso do Whiplash! (www.whiplash.net) e me passou antecipadamente. Mil agradecimentos à eles e vou colocá-la por aqui pra arquivar – e pra quem tiver paciência rs! Foi bem legal, dá pra saber mais da banda ou sobre eu haha! Valeu pessoal, brigadão mesmol! =D
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“Z’ephyruS – O Rock Viajante (e Visual) do Vento Oeste”
Entrevista por Firen.
Transcrição por Rose Salles.
Em 2008, uma banda surgiu como surpresa entre aquelas influenciadas por jmusic, no Brasil. Com um logo chamativo, ideologia complexa e uma versão fiel de “Cage” – parte da homenagem nacional ao grupo fenômeno do rock alternativo mundial, Dir en Grey – a Z’ephyruS chamou atenção como uma das pioneiras e principais promessas do visual rock paulista. Nessa primeira parte da entrevista com Will (vocalista e líder da banda) ficamos um pouco mais por dentro da história da Z’eS, as gravações do tributo e sua superação após problemas na voz. Acompanhe!
Whiplash! – E estamos começando mais um programa pra galera da Anhanguera- Rock Shock Wave! Novamente aqui quem fala é o Firen e dessa vez conto com a presença do Will, vocal da Z’ephyruS. Boa noite Will! Já temos várias perguntas! Podemos começar?
Will: Opa! Boa noite a você e aos ouvintes, é um prazer “hablar” com vocês! (risos) Podem mandar bala!
Whiplash! – Ok, então começando pelo começo, conta pra gente como surgiu o nome da banda?
Will: Tá. Zephyrus é o deus do vento oeste, na mitologia grega. Há diversos significados agregados ao nome e ao logo, mas a essência é toda em torno do “vento”. Nós achamos que dá pra traçar uma bela analogia sobre o vento em relação à vida, então, há um toque de filosofia misturado com o cotidiano em tudo que fazemos.
Whiplash! – E a banda em si, como começou?
Will: Bem, a idéia já tem um tempo, desde 2005, mas considero concreta desde 2008. Eu diria que nós fomos reformulando com o decorrer dos anos. Sabe, eu tive a minha fase “metaleiro”, era o que eu ouvia na adolescência, vocais agudos, guitarras frenéticas… meu irmão, que é o Sunz (tecladista) sempre acompanhou a mesma onda. E chegou uma hora que a gente saturou! (risos) Continuamos ouvindo metal, hard rock, mas abrimos espaço pro rock alternativo, gótico, pop… tudo! O rock japonês veio de tabela. Tinha aquelas vozes mais graves, a mistureba toda no som, tinha uma coisa nova. Foi um atalho. Essa novidade incentivou a banda a sair do papel.
Whiplash! – Na época você tocava guitarra, não é?
Will: Tocava, até o começo de 2007, bem nos primórdios mesmo. Nunca fui grande coisa, honestamente, acho que há muita gente mais virtuosa do que eu! Os caras que tocam costumam ser fissurados por solos, riffs… tenho uns guitarristas de cabeceira, mas sempre achei muito mais legal ver o Freddie Mercury cantando, por exemplo. Algo tipo “ei, vocês, cantem comigo!” e você vê aquele estádio erguendo os braços em coro! Mesmo um público pequeno, é sensacional! Acho que eu tinha esse gostinho enrustido em ser frontman. (risos)
Whiplash! – (Risos) É verdade, comandar a platéia deve ser bem empolgante! Tem também aquela história que o vocalista é sempre o mais assediado! (risos)
Will: Não sei, é? (Encabulado) Você tem que perguntar isso com os outros por perto. Mas acho que é mais impressão, normalmente é o vocal que mais fala com o público, que tem esse contato… deve ser esse o motivo (risos).
Whiplash! – Pode ser! (risos) A propósito, como foi gravar a Cage? Sei que era a primeira vez que gravava algo, além dos problemas na voz (NE: Will teve nódulos nas cordas vocais). Foi uma volta por cima? 
Will: Cara, foi bem tenso! (risos) Comecei cantar sem noção nenhuma, como a maioria faz. Não me preocupava em aquecer, nem com o volume dos instrumentos no estúdio, com nada. Na época, eu também fiz um tratamento com remédios que secou o muco natural da garganta, sem que eu percebesse. Foi fatal. Só me toquei quando fiquei sem voz por uma semana e aleatoriamente procurei um otorrino. Ele detectou o problema e pediu pra que eu repousasse, fosse a uma fonoaudióloga, que ajudaria. Fiquei triste, claro, a banda finalmente estava engrenando. Íamos tocar num evento bacana – o U-Hero – em nossa cidade, e tivemos que cancelar. Me passou pela cabeça que nem a Cage sairia…
Whiplash! – E foram 6 meses de repouso? O tratamento deu certo?
Will: Sim, de setembro à março desse ano. Eu tentava até falar pouco, tamanho o trauma. (risos). Acabei não indo à fono pelo tempo que eu tinha, me cuidei sozinho. Às vezes me pegava cantarolando pela casa, o que de certa forma não podia, mas foi o que ajudou a achar o jeito certo de colocar a voz. Aprendi a empostá-la de uma maneira mais lírica e que forçava menos, a voz saia bem, mesmo rouco. Não é o que recomendo que façam, mas foi como consegui dominar o diafragma e, mesmo sem o tratamento recomendado, fiz exames e os nódulos sumiram. Pensei “bom, se tudo voltou ao normal mesmo cantando, e não piorei, acho que aprendi a cantar certo, certo?”. (risos) Duas semanas depois gravei a Cage.
Whiplash! – Um tempo muito curto pra quem tinha acabado de se recuperar!
Will: Curtíssimo! Foi bem em cima, na semana de entrega. Eu saí numa segunda, no horário de almoço do trabalho pra ir gravar, porque não tinha outra hora disponível! Não tínhamos ensaiado ou feito uma pré-demo, nada. Fiquei nervoso, com medo de errar, de desafinar… sabe, eu nunca tinha feito aquilo! (risos) E tanta gente tinha uma puta expectativa, o pessoal da minha cidade falava “meu, que demais, vocês são uma banda de Jundiaí e vão gravar um tributo brasileiro!”. Era nossa estréia, mas já rolava essa responsabilidade. Então, na ‘hora h’ foi tipo “seja o que Deus quiser!”. Só aliviei a tensão quando o Mark (produtor) falou no retorno “Will, chega aí ouvir, ficou show!”. Foi tudo em 2 takes. E ainda tinha a mixagem, masterização pra fazer… foi corrido mesmo, praticamente um milagre!
Whiplash! – Nossa, não sabia que tinha sido tão tumultuado, imaginei que só as gravações das guitarras tivessem sido um problema. Vocês tiveram muita persistência! Lembro que a versão 1.0 da Cage dividiu opiniões, mas a 2.0 praticamente foi unanimidade de elogios, não é? Vi resenhas aqui, lá fora. Teve comentários no exterior de pessoas imaginando que vocês fossem realmente uma banda japonesa!

Will: É verdade! Se tem uma coisa que essa banda me deu noção total foi “superação”. Todos os problemas que qualquer banda pode ter, nós tivemos, acho que com exceção de roubos de empresários porque não temos um! (risos) Com certeza aprendi muito. E sim, as pessoas receberam muito bem a versão, especialmente os não-fãs de jrock. Isso me surpreendeu demais! Quase todos gostaram. Entre os fãs do Dir en Grey, a divisão foi maior, mas a maioria aprovou após a remixagem. Não tínhamos meta exata pra essa música, exceto demonstrar as habilidades de cada um e um estilo de som diferente. Era só isso. Deu certo e daqui pra frente vamos partir pra outras coisas.
Na próxima parte, veja mais sobre a ideologia da Z”ephyruS, o lado místico da banda e as aguardadas composições próprias.