Z'ephyruS


Música: Z’ephyruS
Letras: Will Pauleto

“Todas essas pétalas deixarão um dia de existir
Todas deixarão… de existir…”

Um botão de rosa soprado ao vento
É bem mais do que uma simples lembrança jogada ao relento
E sobre o asfalto, ainda molhado pelo orvalho da manhã
Meus pés se desfazem, apenas rastros de um eu solitário
Entre galhos quebrados, sonhos deixados,
As pegadas somem, as memórias ficam,
Aqui…

“Todas essas pétalas deixarão um dia de existir”
Você me disse gentilmente, suavemente
“Todas deixarão de existir”
E seu coração partiu-se junto ao meu
Como todas essas pétalas

Por que isso me consome tanto?
De joelhos, eu grito por uma tentativa de sobreviver
Mas a dor não some, ela não some, meu Deus!
E a neblina encobre tudo aquilo que eu não pude esconder
Por que isso me destrói tanto?
De olhos fechados, eu deixo pra trás tudo aquilo que eu possa esquecer
E o que você diz, o que você me diz agora
Pra que eu continue vivo?

Um farol dourado aponta para o cais
E o doce céu contemplando a solidão que brilha mais
Sobre as areias, ainda manchadas pela brisa da manhã
Minhas pegadas se refazem, apenas marcas de um eu imaginário
E quando as luzes se apagam
Entre velhas partidas, novas chegadas,
Minhas mãos somem, meus pés ficam
Por aqui…

“Todas essas pétalas deixarão um dia de existir”
Você me disse gentilmente, suavemente
“Todas deixarão de existir”
E seu coração partiu-se junto ao meu
Como todas essas pétalas

Por que isso me consome tanto?
De joelhos, eu grito por uma tentativa de sobreviver
Mas a dor não some, ela não some, meu Deus!
E a neblina encobre tudo aquilo que eu não pude esconder
Por que isso me destrói tanto?
De olhos fechados, eu deixo pra trás tudo aquilo que eu possa esquecer
E o que você diz, o que você me diz agora
Pra que eu continue vivo?
Pra que eu permaneça vivo?
Pra que eu continue vivo?
Pra que eu permaneça, permaneça, permaneça VIVO?

(“Então…”)

“Todas essas pétalas deixarão um dia de existir”
Você me disse, gentilmente…
“Todas deixarão de existir”
Você me disse, suavemente…
“Todas essas pétalas…”
Você me disse, você sempre me disse
Eu só não quis ouvir,
De você…

Eu estou… (“… puxe…”)
Jesus, eu estou tão… (“… puxe o gatilho…”)
Tão arrependido! (“… AGORA!”)

Frozen Times
(music and lyrics: will pauleto)

“Frozen times
And I recall to you

In my own…

Just I realize
And take it inside my soul
Kokoro…

Frozen times and I recall to you…

Dias vazios
E noites sem dormir
Sem você…
Mas não vou deixar
Pra trás o que vivi
Ao te ter…

Frozen times and I recall to you
Just I realize and take it inside my soul

Frozen times
And I’m here still waiting
All this days…
But you can’t see
That we’re just one kind
All the same?

Frozen times and I recall to you
Just I realize and take it inside my soul
Frozen times and I recall to you, oh no!
Just I realize and take it inside my soul

(solo)

Frozen times and I recall to you
Just I realize and take it inside my soul

Rezo e peço pra te ter em meu olhar
Rezo e peço pra não esquecer

O seu olhar…”

Continuando a lendária entrevista haha, a Rose transcreveu mais um pedação dela e me prometeu que vai terminar tudo até o fim do mês. Quero só ver ehm! (uhauhauha, tadinha, maior trabalho e a gente só enchendo o saco xD… brigadão Rô!).

Pois então, sem mais à dizer, segunda parte do meu momento robert! xD
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Whiplash! – Voltando do intervalo, você terminou falando sobre outras coisas, outros projetos que a Z’eS tem em mente para os próximos meses. Julgando pelas demos e letras “vazadas”, isso deve incluir as composições próprias, certo?

Will: Sem dúvida! É uma de nossas prioridades.

Whiplash! – E sabem quando serão lançadas?

Will. vocais

Will: Ainda não estão terminadas, e provavelmente só vão estar aos 45 do segundo tempo! (risos) Como houve praticamente um hiato não declarado na banda, nós tivemos meses o suficiente pra desenvolver idéias, sonoridades e conceitos diferentes. Criamos muitas músicas distintas. Então, é difícil dizer qual será nosso primeiro single, mas provavelmente “Ostara” e “STARS” sejam as primeiras composições à serem gravadas.

Whiplash! – Hum, já é um bom começo! Pode nos falar um pouco mais sobre elas?

Will: Vejamos (pensando)… Ostara é, literalmente, uma festa de algumas religiões pagãs que celebram o primeiro dia da primavera, na transição das estações, como um novo tempo, uma nova vida pra plantar e colher. É praticamente um resumo do que a Z’ephyruS é hoje, uma introdução, é bem visual kei. Tanto na maneira de soar quanto nas letras, tem bastante aquela coisa de “mudança” que buscamos, e abre um leque temático no qual iremos trabalhar. Já STARS é outro foco, uma balada, mas que talvez se torne um pouco mais progressiva. Tem um ideal que reflete mais nossas escolhas. No fundo, ambas canções passam duas mensagens, uma mais “na cara” e simples, outra mais subliminar e complexa. Acho que assim as tornamos interessantes pra qualquer tipo de pessoa.

Whiplash! – Bem interessante mesmo, Will! Aparentemente há uma profundidade muito grande nas coisas que vocês fazem, tudo tão cheio de significados e metáforas. É proposital?

Will: Olha, nem sempre eu diria que é proposital, mas é o jeito que eu gosto de me expressar, então acaba acontecendo, sabe? Eu acho que pra mim, pensar de uma maneira mais simples é mais difícil, e complicar é mais natural (risos). Além do mais, não consigo separar a música da letra, ou da imagem que queremos passar e tal… eu tento fazer com que soe como uma coisa só, e vejo importância em cada detalhe. Por isso acabamos criando todas essas idéias que parecem pomposas ou complexas. Claro, além do fato de que, mesmo com a banda parada, a parte conceitual continuou se desenvolvendo nesses anos. Talvez por isso ela pareça um pouco mais à frente e assuste quem olha e pensa “nossa, a banda é nova, mas já tá viajando na maionese!” (risos)… tivemos muito tempo pra pensar nisso tudo.

Naito. guitarras

Whiplash! – E você é o principal compositor da banda, certo?

Will: No momento, sim, a maioria das  composições são minhas, mas a tendência é que se torne algo mais homogêneo. Pode ser que eu continue escrevendo as letras da maioria, pra encaixar melhor as palavras que canto e também porque os outros membros as aprovam, aparentemente! (risos) Mas nós batemos muito na tecla “criatividade”, então, é importante que todos palpitem. Nós nos damos essa liberdade criativa.

Ahhh, isso é ótimo! É a melhor tática pra sair do “feijão com arroz”!

Will: Poxa, e como! Não que feijão e arroz sejam ruins, mas uma batatinha, uma salada e um prato de macarronada de vez em quando vai bem, né? (gargalhadas)

Whiplash! – Vai sim! (risos) A propósito, já que você tocou no assunto, eu li a letra de STARS, assim como ouvi algumas partes da ~ Dreams ~. São belas canções, muito inspiradas! Notei que, além da idéia de mudança, você toca muito na palavra “sonhos”…

Will: Sim, é verdade! Tanto que ~ Dreams ~ deve ser nossa música mais longa, é um conceito que me atrai bastante.

Foi o que imaginei. Diria até que há um tom bem filosófico e místico no que você escreve. Faz sentido?

Will: É, faz um certo sentido. Quer dizer, nós definimos a banda como “mudança”, “equilíbrio” e “sentimento”, certo? Então, a mudança simboliza a vida como ela naturalmente já nasce e é, mutante. O equilíbrio não nasce conosco, é algo que se adquire com o tempo, é quase uma meta de vida, muito presente no budismo. Por último, eu traduzo sentimento como algo relativamente espiritual. Não só o amor ou ódio, mas também a “razão moral”, essa ânsia de buscarmos o certo e o errado e que parece inata e presente apenas no ser humano. Só nós sentimos isso. E é basicamente sobre essas coisas que eu escrevo.

Whiplash! – Sim, é notável essas questões envolvendo a vida, assim como o lado espirituoso. A banda é religiosa, acredita em Deus? Lembro até de algumas pessoas levantarem a hipótese da Z’ephyruS ser ligada à Rosa-Cruz (N.E: uma das sociedades secretas mais antigas e respeitadas do mundo). O que você diria sobre essa “espiritualidade”?

Sunz. teclados

Will: Ahãam, lembro dessa hipótese! (risos) Assim, eu realmente sou simpatizante da Rosa-Cruz, mas não sou membro, muito menos somos representantes dessa ordem. Tenho um respeito e grande admiração pelo trabalho deles e de outras sociedades, e talvez por isso haja alguma afinidade no que demonstramos. Quanto à religião, todos nós temos alguma crença e acreditamos em Deus de alguma forma. Particularmente, sou católico, mas me considero mais como um “cristão-budista”, se é que isso existe! (risos). Gosto desse assunto e acredito que, pra uma banda que busca equilíbrio, deixar a espiritualidade de lado seria burrice.

Eu concordo. Acho que esse é um argumento não apenas válido pra sua banda, Will, mas pra vida de qualquer um, não?

Claro! É como eu aprendi a ver: todo extremo é extremo demais pra estar correto. Se você é um fanático religioso, me desculpe, mas você é extremista. E se é ateu, é tão extremista quanto. Não dá pra ver e viver a vida por completo se você só ficar de um lado, se anular a ciência ou a fé. Tem que haver um equilíbrio e pode haver. Eu recomendo aos curiosos que leiam “A Linguagem de Deus”, escrito pelo cientista líder do projeto genoma, Francis Collins. Parte da inspiração e ponto de vista da banda é o mesmo do autor desse livro. Ele é fantástico! Assim como C.S. Lewis (N.E.: autor de Nárnia). São pessoas que aprenderam a usar a inteligência pra mesclar pontos de vista.

Última parte à caminho: As influências musicais da Z’eS, a cena brasileira de visual kei e o vindouro pontapé acústico! (PS: que por sinal já tá rolando ^^)

Lágrimas
(Versão: Z’ephyrus / Letras: Will e Yoshiki)

“Pra onde eu devo ir?
Agora, tão longe de você…
Pergunto à mim sem poder me entender
Uma longa viagem sem te ver

Sozinho vejo a noite passar
O céu dormir, uma estrela à ninar
Em meu caminho já não resta esperar
Eu canto só pra poder lembrar

O vento sopra com calor
Enxuga as lágrimas, a imensa dor
E tudo pode até mudar
Sinto sua voz ao respirar
Dry your tears with love
Dry your tears with love

Loneliness, your silent whisper
Fills a river of tears through the night
Memories, you never let me cry
And you, you never said goodbye

Sometimes our tears blinded the love
We lost our dreams along the way
But i never thought you’d trade your soul to the fates
Never thought you’d leave me alone

Time through the rain has set me free
Sands of time will keep your memory
E o amor eterno chega ao fim
Mas permanece aqui em mim
Dry your tears with love
Dry your tears with love

O vento sopra com calor
Enxuga as lágrimas, a imensa dor
E tudo pode até voltar
Sinto seu rosto aproximar
Dry your tears with love
Dry your tears with love

O vento sopra com calor
Enxuga as lágrimas, a imensa dor
E tudo pode até mudar
Sinto sua voz ao respirar
Dry your tears with love
Dry your tears with love


Dry your tears with love…
Dry your tears with love…”

PS1: ensaiando-a para o acústico.
PS2: a letra realmente é em português/inglês.

SONHOS – ATO II
(Música: Z’ephyruS  / Letras: Will Pauleto)

“Quem sou eu?
Quem parou o vento ao redor do tempo limitado por mim?
Onde estou?
Onde resguardam as palavras e lugares nesse abismo sem fim?

Sou tentado a deixar de ser, sou tentado a não ver mais,
E eu jogo minhas intenções no escuro, apago-me por dentro,
É tão simples deixar de respirar, mas eu só quero sentir… (um pouco mais)

Mais uma manhã, minha última manhã,
Os raios de sol brilhando, tocando meu rosto,
E meus olhos contemplando, abrindo-se em lágrimas,
Vêem toda razão, vêem todo sentido apenas antes de… (partir)

Não sei o porquê, mas eu tremo quando você me chama.
A felicidade, a tristeza, elas caminham tão próximas…

Sou tentado a deixar de ser,
Sou tentado a não ver mais…

A cidade acordando sobre o asfalto,
Os jardins florindo na primavera,
As pessoas partindo para suas casas,
Os beijos e abraços à sua espera.

Cenas, memórias, gestos e recados,
Por favor, deixe-os trancados em meu coração?

Sou tentado a deixar de ser, sou tentado a não ver mais,
E eu jogo minhas intenções no escuro, apago-me por dentro,
É tão simples deixar de respirar, é tão simples, tão simples…

Fico com toda a culpa sob meus ombros,
(Estou tentando deixar de ser)
Rezo com toda a alma para manter vivo,
(Estou tentando não ver mais)
Digo com todas as letras o quanto a amo,

Só enquanto eu respirar…”

(~ DREAMS ~ Act II: Nostalgia)

Sonhando…

Eu estava sonhando
Ou talvez tenha sido somente
Uma memória a muito esquecida

Um sonho…
Uma memória…

Coisas lembradas
Quando um está dormindo
Coisas esquecidas
Quando outro está acordado

Onde as camadas mais profundas
Da memória de um
Tornam-se as camadas mais externas
Dos sonhos do outro

Qual é a realidade?
Quais são as ilusões?
Um não pode dizer até que
O outro desperte

Ou talvez eles sejam,
Ambos, ao mesmo tempo
Verdade e ficção
Uma vasta nebulosa
Sem limites ou fronteiras
Um completo vazio equivalente
À minha própria existência

Eu sonhei esse sonho…

Um longo
E eterno,
Sonho…

Eu menti
Não estava sem tintas
Apenas temi que eu pudesse
Terminar o retrato
Eu queria continuar
Sonhando, pra sempre

Sonhos…

Era melhor ter deixado
Daquela forma…

(~ DREAMS ~ Act I: The Sleepwalker)

Vejo mil milhas através de você,
Dos desejos de amor, vestígios ao entardecer.
Você me ensinou a viver,
Sempre me ensinou a viver.

Vá em frente, tire essa dor do meu ser,
Eu prometo dar um fim logo – e morrer.
Você me ensinou a viver,
Continue ensinando a viver.

Fecho os olhos pra ver,
O que há em meu querer,
Pode até ser, que você encontre em mim…
… Você.

À mil milhas de você, sem pressa pra voltar,
Navegando o desconhecido, preso em alto mar.
Deixe-me sozinho então, eu posso continuar,
À buscar um novo vento em mim.

Mas, não vejo mais cores,
As cenas se movem,
Oceanos se escondem.

Há um imenso vazio no altar,
Que ergue um escudo, encara meu sol.
Mas não vou me esconder,
Eu olho sobre meu ser,
À mil milhas de você…

Pouco tempo atrás rolou essa entrevista com o Firen, pra Rádio Anhanguera Educacional (www.unianhanguera.edu.br), como parte do projeto de integração das faculdades. Agora, a Rose gentilmente transcreveu TUDO para uso do Whiplash! (www.whiplash.net) e me passou antecipadamente. Mil agradecimentos à eles e vou colocá-la por aqui pra arquivar – e pra quem tiver paciência rs! Foi bem legal, dá pra saber mais da banda ou sobre eu haha! Valeu pessoal, brigadão mesmol! =D
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“Z’ephyruS – O Rock Viajante (e Visual) do Vento Oeste”

Entrevista por Firen.
Transcrição por Rose Salles.

Em 2008, uma banda surgiu como surpresa entre aquelas influenciadas por jmusic, no Brasil. Com um logo chamativo, ideologia complexa e uma versão fiel de “Cage” – parte da homenagem nacional ao grupo fenômeno do rock alternativo mundial, Dir en Grey – a Z’ephyruS chamou atenção como uma das  pioneiras e principais promessas do visual rock paulista. Nessa primeira parte da entrevista com Will (vocalista e líder da banda) ficamos um pouco mais por dentro da história da Z’eS, as gravações do tributo e sua superação após problemas na voz. Acompanhe!

Whiplash! – E estamos começando mais um programa pra galera da Anhanguera- Rock Shock Wave! Novamente aqui quem fala é o Firen e dessa vez conto com a presença do Will, vocal da Z’ephyruS. Boa noite Will! Já temos várias perguntas! Podemos começar?

Will: Opa! Boa noite a você e aos ouvintes, é um prazer “hablar” com vocês! (risos) Podem mandar bala!

Whiplash! – Ok, então começando pelo começo, conta pra gente como surgiu o nome da banda?

Will: Tá. Zephyrus é o deus do vento oeste, na mitologia grega. Há diversos significados agregados ao nome e ao logo, mas a essência é toda em torno do “vento”. Nós achamos que dá pra traçar uma bela analogia sobre o vento em relação à vida, então, há um toque de filosofia misturado com o cotidiano em tudo que fazemos.

Whiplash! – E a banda em si, como começou?

Will: Bem, a idéia já tem um tempo, desde 2005, mas considero concreta desde 2008. Eu diria que nós fomos reformulando com o decorrer dos anos. Sabe, eu tive a minha fase “metaleiro”, era o que eu ouvia na adolescência, vocais agudos, guitarras frenéticas… meu irmão, que é o Sunz (tecladista) sempre acompanhou a mesma onda. E chegou uma hora que a gente saturou! (risos) Continuamos ouvindo metal, hard rock, mas abrimos espaço pro rock alternativo, gótico, pop… tudo! O rock japonês veio de tabela. Tinha aquelas vozes mais graves, a mistureba toda no som, tinha uma coisa nova. Foi um atalho. Essa novidade incentivou a banda a sair do papel.

Whiplash! – Na época você tocava guitarra, não é?

Will: Tocava, até o começo de 2007, bem nos primórdios mesmo. Nunca fui grande coisa, honestamente, acho que há muita gente mais virtuosa do que eu! Os caras que tocam costumam ser fissurados por solos, riffs… tenho uns guitarristas de cabeceira, mas sempre achei muito mais legal ver o Freddie Mercury cantando, por exemplo. Algo tipo “ei, vocês, cantem comigo!” e você vê aquele estádio erguendo os braços em coro! Mesmo um público pequeno, é sensacional! Acho que eu tinha esse gostinho enrustido em ser frontman. (risos)

Whiplash! – (Risos) É verdade, comandar a platéia deve ser bem empolgante! Tem também aquela história que o vocalista é sempre o mais assediado! (risos)

Will: Não sei, é? (Encabulado) Você tem que perguntar isso com os outros por perto. Mas acho que é mais impressão, normalmente é o vocal que mais fala com o público, que tem esse contato… deve ser esse o motivo (risos).

Whiplash! – Pode ser! (risos) A propósito, como foi gravar a Cage? Sei que era a primeira vez que gravava algo, além dos problemas na voz (NE: Will teve nódulos nas cordas vocais). Foi uma volta por cima?

Will: Cara, foi bem tenso! (risos) Comecei cantar sem noção nenhuma, como a maioria faz. Não me preocupava em aquecer, nem com o volume dos instrumentos no estúdio, com nada. Na época, eu também fiz um tratamento com remédios que secou o muco natural da garganta, sem que eu percebesse. Foi fatal. Só me toquei quando fiquei sem voz por uma semana e aleatoriamente procurei um otorrino. Ele detectou o problema e pediu pra que eu repousasse, fosse a uma fonoaudióloga, que ajudaria. Fiquei triste, claro, a banda finalmente estava engrenando. Íamos tocar num evento bacana – o U-Hero – em nossa cidade, e tivemos que cancelar. Me passou pela cabeça que nem a Cage sairia…

Whiplash! – E foram 6 meses de repouso? O tratamento deu certo?

Will: Sim, de setembro à março desse ano. Eu tentava até falar pouco, tamanho o trauma. (risos). Acabei não indo à fono pelo tempo que eu tinha, me cuidei sozinho. Às vezes me pegava cantarolando pela casa, o que de certa forma não podia, mas foi o que ajudou a achar o jeito certo de colocar a voz. Aprendi a empostá-la de uma maneira mais lírica e que forçava menos, a voz saia bem, mesmo rouco. Não é o que recomendo que façam, mas foi como consegui dominar o diafragma e, mesmo sem o tratamento recomendado, fiz exames e os nódulos sumiram. Pensei “bom, se tudo voltou ao normal mesmo cantando, e não piorei, acho que aprendi a cantar certo, certo?”. (risos) Duas semanas depois gravei a Cage.

Whiplash! – Um tempo muito curto pra quem tinha acabado de se recuperar!

Will: Curtíssimo! Foi bem em cima, na semana de entrega. Eu saí numa segunda, no horário de almoço do trabalho pra ir gravar, porque não tinha outra hora disponível! Não tínhamos ensaiado ou feito uma pré-demo, nada. Fiquei nervoso, com medo de errar, de desafinar… sabe, eu nunca tinha feito aquilo! (risos) E tanta gente tinha uma puta expectativa, o pessoal da minha cidade falava “meu, que demais, vocês são uma banda de Jundiaí e vão gravar um tributo brasileiro!”. Era nossa estréia, mas já rolava essa responsabilidade. Então, na ‘hora h’ foi tipo “seja o que Deus quiser!”. Só aliviei a tensão quando o Mark (produtor) falou no retorno “Will, chega aí ouvir, ficou show!”. Foi tudo em 2 takes. E ainda tinha a mixagem, masterização pra fazer… foi corrido mesmo, praticamente um milagre!

Whiplash! – Nossa, não sabia que tinha sido tão tumultuado, imaginei que só as gravações das guitarras tivessem sido um problema. Vocês tiveram muita persistência! Lembro que a versão 1.0 da Cage dividiu opiniões, mas a 2.0 praticamente foi unanimidade de elogios, não é? Vi resenhas aqui, lá fora. Teve comentários no exterior de pessoas imaginando que  vocês fossem realmente uma banda japonesa!

Will: É verdade! Se tem uma coisa que essa banda me deu noção total foi “superação”. Todos os problemas que qualquer banda pode ter, nós tivemos, acho que com exceção de roubos de empresários porque não temos um! (risos) Com certeza aprendi muito. E sim, as pessoas receberam muito bem a versão, especialmente os não-fãs de jrock. Isso me surpreendeu demais! Quase todos gostaram. Entre os fãs do Dir en Grey, a divisão foi maior, mas a maioria aprovou após a remixagem. Não tínhamos meta exata pra essa música, exceto demonstrar as habilidades de cada um e um estilo de som diferente. Era só isso. Deu certo e daqui pra frente vamos partir pra outras coisas.

Na próxima parte, veja mais sobre a ideologia da Z”ephyruS, o lado místico da banda e as aguardadas composições próprias.

“O véu que cai sob a mesa
E a noite esvai o vão das portas
Só um canto só vê a beleza
Oh, Realeza!

Amanhã,
Talvez pela manhã eu relembre seu nome
Amanhã,
Talvez um novo louco te deixe

Amanhã,
Talvez pela manhã eu me lembre do nome
Amanhã,
Talvez um novo outro te beije

E o fogo a mercê da lareira
Dançando conforme as nossas prosas
As cinzas queimam de volta à poeira
Esperam por um mar de rosas

Talvez pela manhã elas floresçam, então…

Deixa estar a dormir a tua luz em meu olhar,
Deixa estar a sentir o meu amor que vai passar,
Deixa estar a partir a lua até o sol raiar,
Deixa estar a sentir o meu amor que vai passar,
Nunca vai passar

Amanhã, talvez eu relembre, me lembre…”

By Will. ^^

“Ressoe além do mar, oh Voz do Vento!
ressoe além do mar…
Teus passos já não são tão mais os mesmos
me ensine novamente a navegar…”
(Z’ephyruS)

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