A Filosofia do Dia-a-Dia


Ahhh, um banho quente! Quem nunca teve a ‘oportunidade’ de tomar uma bela pancada de chuva na cabeça – daquelas que surgem do nada em primaveras como a de agora – e aí, após ficar com todo o cabelo molhado, bagunçado, com a roupa encharcada e sentindo o friozinho do vento, chegar em casa e… BANHO! Tomar aquele banho morno, quente, às vezes pelando e esfumaçando, não importa! Só pra quebrar o gelo do lado de fora. E ainda, com a toalha na cabeça, ir até a cozinha preparar aquele cházinho ou capuccino, quentinho pra acompanhar o descanso…

Há contrastes inversamente calorosos. Pense naquela sala, possivelmente da sua empresa, com o ar-condicionado (que nem parece tão saudável assim de primeira, but whatever) ligado o dia todo, você de blusa, engomado, precisando sair de carro pra visitar um cliente. E então, aqueles 35º graus sutis de temperatura no painél público, o solzão “evaporando” no asfalto, carros entupindo todas as vias de tráfego e… seu carro não tem ar! Seu carro é uma sauna. E logo logo, quem fica sem ar é o infeliz que dirige-o também, irritado, suado, bem “p” da vida.

“E por que você tá escrevendo esse texto, Will? Vai me proibir de ir à geladeira depois do banho?”. Não, claro que não. Se você quer morrer com o choque térmico, pode ir lá abrir a portinha da geladeira. A dúvida compartilhada nesses linhas é quanto ao choque – não só térmico – ocorrer todo santo dia com a gente. A possibilidade de perceber, detectar, sentir coisas nos ambientes, nas pessoas, que numa fração de segundos alteram-se, viram do avesso e te dão um… choque, oras! É possível? É, é sim.

Só que, assim como os vários furos nas previsões do tempo (que geralmente parecem servir apenas pra mostrar a jornalista mais gata da redação por uns segundinhos), a gente sai por aí preparado pra tomar alguns choques e acabamos tomando outros, totalmente diferentes, totalmente inesperados pelo caminho. Pra saber se você já botou o “dedo na tomada” hoje, é só pensar numa simples frase ou situação que mudou seus pensamentos (quem sabe o humor) da água pro  vinho. Agora ficou fácil, fala sério haha!

Só posso dizer que tenho andado de guarda-chuva, por precaução, sabe?
Mas e você? Tem ficado “chocado” ultimamente?

“Há mais magia na tristeza do que na alegria…”

Foi o que ouvi de uma pessoa muito importante, há alguns anos atrás. Na época, entendi pouco ou quase nada à respeito. Mas hoje, por mais que eu ainda não saiba exatamente o que isso significa, já consigo compreender melhor, um pouco melhor…

Todos nós somos instáveis. Todos nós corremos atrás de necessidades, desejos, ambições. Metas. Todos nós buscamos coisas paupáveis, ou não. Isso é inato, é algo que está em cada um de nós, desde que nascemos – inconscientemente. É a ânsia em querer mudar, em querer ter… ter aquilo que nós não temos, muitas vezes. Pra preencher algum vazio que você não vê, mas sente que, de alguma forma, existe. Mesmo que sejamos completos.

É tão irônico…

Apenas a razão vê o todo. A emoção, aparentemente, não consegue. Ela é tomada por partes, ela se faz em partes. Num momento você está cheio de alegria e num outro, está ardendo de raiva. Vendo fotos, sente a nostalgia e a beleza da saudade, ou então, a tormenta de não ter mais o que um dia já teve. Apegados ao que temos, mais apegadados ainda ao que não temos… todos somos assim. E precisamos lutar pra mesclar aos sentimentos um pouco de sanidade, de controle, de inteligência – emocional.

Hoje, vejo a tal “magia na tristeza” e sei que vai um pouco além do óbvio. Estar triste é, de alguma forma, um aviso que nos damos de que algo está errado. E se algo está errado, é o primeiro passo pra aceitarmos um segundo caminho: o da mudança. É como um grito desesperado de socorro. O mesmo vale pra sensação de vazio que, por sinal, é um pouco do que sinto enquanto escrevo isso. Mas se percebo esse estado, é porque tenho uma vontade enrustida em preenchê-lo, não é?

É, porque estar alegre dispensa qualquer tipo de magia.

(É pra vocês, meus verdadeiros amigos. É pra vocês.)

Você acredita em destino? A idéia de que nossa vida está escrita nas estrelas, por algo ou alguém, e que isso nos leva a encontros datados? É, é um pensamento bem romanticista, viável se você for (extremamente) fervoroso. Se for cético, tal presunção vai passar longe, bem longe dos seus olhos. Céticos gostam do termo “coincidência”. Mesmo que às vezes haja coincidências demais…

Mas se eu disser que existe um meio termo? Um elo entre aquilo que teoricamente acontece porque tinha que acontecer, com aquilo que acontece porque aleatoriamente aconteceu? Não, não se trata de um milagre. A teoria tem nome: Sincronicidade. Embora a princípio pareça confuso, há uma diferença bem relevante de simples coincidências ou vidas destinadas. Não são só acontecimentos de relação causal. Possuem relações de significado. “Coincidências significativas”, para ser exato, segundo o suíço Carl Gustav Jung – psicanalista pai dos estudos.

E toda essa “visão absurda” me foi apresentada há 3 anos, pelo Rodrigo Hidalgo (guitarrista do Mindflow). Foi uma das últimas entrevistas que fiz como redator, antes de me afastar da cena de metal. E, de longe, foi uma das mais notáveis. Aquele assunto girou na minha cabeça. A premonição, o acidente de avião, a morte do piloto – primo dele – e o encontro com a tal vidente anos depois… tudo descrito no 1º álbum “Just the Two of Us… Me and Them”. Surreal. Há toda uma sincronia de fatos, realmente.

“Razão, emoção, sensação e intuição”. Esses são os quatro pilares mentais inatos do ser humano. Normalmente, existem em cada indivíduo de forma aleatória (vide pessoas mais racionais, mais emocionais, mais intuitivas.). Porém, pode haver um equilíbrio entre eles espontâneo, na maioria. É o ponto de sincronicidade. Você precisa ter uma dose de fé pra acreditar que isso é possível, mas, além dos estudos científicos e influências de energia – a base do universo – temos a nossa vida pra tirar a prova. Querem ver?

Nem vou muito longe pra não assustar ninguém, mas falando da minha rotina em relação a alguns de vocês, o que há de próximo já é o suficiente: Que tal você, que tentou falar comigo à kilômetros de distância enquanto escrevia inconscientemente meu nome no caderno, em sala de aula? Ou você, que precisaria de um hiatus em nossa amizade – que durou 3 anos – pra ver seu pai nos EUA, sem saber? Quem sabe o tal encontro sutil no meu aniversário, ao qual a mesa já estava reservada pra vocês, sem que imaginassem? E pra terminar, o nome próprio que me fez chegar até você, num emaranhado de endereços virtuais mundiais, que hoje já passam do número de cidades e ruas reais?

Enfim, eu não sabia exatamente como tocar neste assunto. Toquei. Devo dizer que, especialmente entre os quatro últimos ‘citados’ acima, há mais do que essas simples perguntas. Há outras “coincidências significativas”. E ainda nem falei de sonhos, mas a dica já está dada. Tenham paciência que verão, se quiserem.

Post dedicado à Dona Palmira. Muito obrigado por tudo.

“A Mente acima do Corpo”.

Quando pensamos nessa afirmação é como se mergulhássemos no mar do auto-conhecimento: Quanto mais nos aprofundamos, mais escuro ele se torna, e assim entendemos a razão da luz. Então, levante-se, tire os sapatos e deixe que a água do mar envolva seus pés:

1. A mente está dentro do cérebro, está localizada em cima do nosso corpo.

2. A mente é mais valiosa que o corpo. O lado material não tem tanto valor.

“Um mergulho mais profundo…

3. A mente e o corpo são uma coisa só. Por isso só existe a Mente.

4. A mente e o corpo não existem, os conceitos e julgamentos desapareceram. Os extremos se unem e deixam de ser.

… agora traga uma estrela do mar.”

Certa vez, o Leo escreveu no fotolog dele coisas sobre um assunto muito interessante, chamada “Troca Equivalente” (Tôka-Kôka, em japonês). Ela é uma lei real da alquimia criada por Antoine Lavoisier, mas que tornou-se mesmo conhecida após o sucesso do anime Fullmetal Alchemist (que aborda bem o assunto e foi muito elogiado por isso), onde os dois irmãos protagonistas aprendem no mínimo duas coisas básicas: que tudo na vida depende de esforço e sacrifícios para conquistar o que queremos, e que apesar de teoricamente haver um equilíbrio entre isso, ele pode pender mais pra um lado ou outro de acordo com a nossa vontade.


É aquela velha história de que “tudo tem um lado positivo e negativo”. E de fato, tem, não há como negar! Sempre enxergamos problemas no nosso dia a dia, e acho que eles se tornam mais visíveis que as coisas boas pelo fato de nos incomodarem, machucarem… quer dizer, a questão é que nós não queremos ser incomodados ou sentir dor! Quem nunca pensou em ter um “vidão” vendendo coco na praia, sentado numa rede sem ter que trabalhar pra outros ou algo assim? Parece perfeito! A vida passa tranquilamente e assim você não tem problemas. Mas também, você só passa e não vive.

Então eu penso que tudo gira em torno da “desordem”, ou melhor, da mudança. E o difícil não é aturar os dois lados da moeda, mas ficar em cima da corda bamba. Querem um exemplo? Quantas pessoas têm um lar agradável, uma família perfeita, mas sofrem com gastos e dívidas desempregadas? Ou então, quantos têm um emprego maravilhoso, gerentes e empresários super bem sucedidos, mas não há ninguém, marido, esposa, filhos ou amigos pra compartilharem suas conquistas? É fácil ter sucesso pessoal, é fácil ter sucesso profissional. O desafio é ter as duas coisas. Segundo Lavoisier, isso seria impossível, porque são opostos que necessitam de dedicação e tempo para existirem, e nós temos que escolher qual preferimos para ter uma “troca equivalente”.

Mas pensando bem, num mundo tão imperfeito e complexo, como acreditar que uma lei poderia governar tudo? Pois então, melhor acreditar mais em mim, melhor que acredite mais em você.

PS: Não sou mais nenhum otaku, mas foi graças a Fullmetal que voltei a ver animes. E Death Note também, off course! ;D

Feeling.

Tá aí uma palavra que me intriga bastante. Não a palavra em si, mas seu significado. E não consigo enxergá-la apenas como “sentimento” em inglês. Pra mim há um toque místico, mágico, espiritual, ou seja lá o que raios você quiser imaginar. É um sentimento maior, daqueles que ocorrem raras vezes, com raras pessoas. É um… “feeling”.

Aliás, se me permitem citar uma historinha, talvez ajude a entender e me expressar…

Há milênios atrás, eu freqüentava um fórum sobre vocalistas de rock (acho que isso já mostrava uma pré-disposição maior ao microfone do que à guitarra, mas continuemos hehe). Criado pelo André Rimas, um puta professor de canto paulista, sempre atraiu gogós de todos os cantos do Brasil, além de curiosos – como eu. Era uma maneira de descobrir grandes vozes da música e ver umas “faíscas” rolarem em discussões haha! E foi por lá que conheci uma banda, mais especificadamente uma voz, que ouso dizer que mudou minha vida. =]

O nome dela era Pain of Salvation, conhecida até então apenas como “uma revelação suéca do prog metal”. Seu líder, um tal de Daniel Gindelöw, parecia um sujeito ousado, multi-instrumentista e um letrista de mão cheia. Suas canções variavam entre a dificuldade das relações humanas, passando por críticas (pesadas) a política norte-americana e até altas doses existencialistas inspiradas no panteão de filósofos gregos. Assim, ao longo dos anos, o “PoS” pulou de álbum em álbum sendo aclamado pela crítica, por suas mudanças e inovações sonoras, pela versatilidade e profundidade dos conceitos. O único rótulo cabível ainda era “rock/metal alternativo”. E por diversas vezes, foram considerados o “Pink Floyd Moderno”. Nada mal, né?

Mas ainda nem falei do maior destaque do conjunto: a voz de Mr. Gindelöw.

Quando ouvi pela primeira vez, apenas achei diferente. Uma voz mais grave – possivelmente um barítono – quase sussurrada na melancólica “Ashes”. Não era como os agudos operísticos (que costumava a ouvir naquela época) típicos do “metal melódico”. Era até estranha. Porém, parecia que algo daquela música ficou ressoando na minha cabeça, algo cativava, e quase sem perceber, eu iria cantarolar o refrão mezzo-sombrio pelos cantos da casa por diversos dias. E só. Porque ainda não existia Youtube, Orkut – e minha pessoa não tinha coragem de baixar os álbuns sem comprá-los (também não haviam tantos sites quanto hoje pra isso rs).

Então surgiu a Luciana. Aluna de canto lírico do Conservatório Souza Lima, bixo em Fonoaudiologia na USP e fã do PoS de carteirinha. Ela foi a culpada haha! Muito do que eu sei sobre música devo a essa menina, pra lá de gabaritada, e aos poucos também conheci muito do Pain of Salvation através dela. Descobri que as letras daqueles caras me ajudaram muito naqueles tempos. Descobri que o Daniel era ninja em drives, vibratos, falsetes e outra bizarrices vocalísticas. Descobri o quão a técnica dele era apurada, mas que seu sentimento ultrapassava – e muito – isso. Descobri “o” intérprete.

E lembro de mais duas coisas…

Um tópico no fórum, criado não sei por quem, pra falar sobre o Daniel após uns shows do PoS no Brasil. Diversos foram os elogios, até então não unânimes, mas que se tornaram unânimes ao decorrer da discussão e de vídeos como “Iter Impius”;

A frase da Luciana, suspeita – é verdade – mas marcante: “Eu fico até meio dividida pra falar desse cara. Por um lado, estou extremamente feliz por ter conhecido o melhor vocal do mundo! Por outro, me bate até uma angústia de saber que aos meus 20 e poucos anos, já conheci o melhor do mundo! E agora? Vou ter que procurar outro alguém no Universo? (risos)”

Resumo da Ópera:

Quem chegar até aqui, vai descobrir que esse texto não tem nada haver com o Pain of Salvation. Ou, ok, tem haver em partes rs! O Daniel é meu vocalista preferido, até hoje, me influênciou bastante e eu morro de raiva de não conseguir fazer o que ele faz rs! Mas além de tudo, ele me mostrou esse “feeling”, essa raridade de sentimento, de compatibilidade, de sincronia que nós temos por alguém ou por algo, em algum momento. Percebi isso com essa banda (e com o L’arc~en~Ciel) em relação a música, e hoje percebo com outras coisas. É aqui que eu queria chegar.

O feeling surge quando há pessoas, porque é inerente a nós, a vida. Não existiria na música se canções fossem compostas por pedras haha! E o que mais vale nesse mundo são nossas relações pessoais, com aqueles que nos querem bem e que nós amamos. Seja alguém de longa data, seja alguém que você conheceu pela manhã. Dá pra sentir algo diferente com esses “alguém(s)”, há esse toque especial. Então despertamos o feeling. É o que percebo com contáveis (e notáveis) amigos. É o que percebi, pela última vez, a quase duas semanas. Uma sensação agradável do tipo que tranquiliza, que completa, não por ser perfeita, mas por agregar qualidades que – falando por mim – às vezes coincidem ou simplesmente me faltam. E quando junto, não faltam mais.

E dá aquela dor no peito de pensar “Meu Deus, eu encontrei! Encontrei o feeling! Mas e agora?  Eu mereço isso? Corro o risco de perder isso? Parece que não faz mais sentido procurar e procurar.  É um brilho tão distinto, tão louvável, que não posso descrever em palavras. É inenarrável! Por favor, ao menos me dê sabedoria pra manter esses tesouros que achei”.

Pois é. Se existe uma felicidade que de tão enorme até dói, ela está descrita nessa frase/oração acima. Dá medo que roubem algo tão belo de nós, o que é pura besteira, claro. Sentimentos tem o dom de se multiplicar. E embora minha breve experiência de vida tenha me ensinado a dar valor ao concreto, e que sempre podemos nos surpreender além do imaginado, ela me ensinou também que intuição e oportunidade não são apenas coisa de mãe ou contar com a sorte.  São coisas palpáveis e sólidas em diversos momentos. Somos nós quem criamos, somos nós que concretizamos.

Portanto, talvez seja exagero dizer que o Daniel Gindelöw é o melhor vocalista do mundo, certo? Talvez. Porém, pra mim ele ainda é, e mesmo se um dia deixar de ser, ainda será digno do trono. É o que penso sobre todos os momentos cheios de feeling pelos quais tenho passado. São os melhores! Vem daqueles lugares e pessoas que são  e continuarão sendo as melhores, seja no alto do pódio, seja num degrauzinho ao lado. E ao meu lado, eu espero, de coração.

Paro por aqui sem conseguir definir direito o tal do “feeling”, mas sabendo que certamente ele existe.

(E post dedicado à Helena, vulgo “Rainha de Troiá sem Troiá”, que hoje completa 18 aninhos e é, de alguma forma, parte desses últimos tesouros que encontrei e que não deve saber, mas já trás um brilhinho a mais ao meu caminho. Parabéns Lê!).

Queria eu poder tocar o tempo. Trazê-lo pra perto, pra bem perto, e então batermos um papo. Desses que você já imaginou com Deus, numa mesinha de bar, talvez bebendo vinho ou um tradicional suco-natureba. Só que Deus é Deus né, e como o tal do tempo é criatura Dele, suponho que fosse mais fácil agendar um papinho com a mesma do que com a “Chefia”. Mas não, não é. O tempo é ágil, é sagaz. É quase furtivo. Ele se esvai, sem receio do futuro ou do que vai deixar pra trás. O tempo não tem medo de correr. Mas eu tenho.

E enquanto ele dá seus passos contínuos e simétricos à procura de um tal ancião infinito, eu sinto que posso encontrá-lo. Sinto que sua essência paira ao meu lado. E que posso falar, cochichar no seu ouvido por um segundo. Dizer “Eii por que você corre tamanha maratona sozinho, se eu estou aqui, estagnado, me sentindo estagnado. Por que não me leva junto com você? E então terás companhia e eu terei o dom de ver tudo passar como um filme, numa seqüência. Sem que você corra e eu sinta que estou girando em círculos, que perdi o fio à meada”. Uhum, talvez pareça barganha.

No fundo, o tempo é tão velho quanto o infinito, então, talvez não me ouça muito bem. Apenas banca o atleta todo santo dia. Ou não. Há um aperto que sinto no coração ultimamente e que, às vezes, também dói na alma. É uma mistura de ansiedade positiva com uma angústia, já não tão positiva. É dualístico, quase um carma. O que está parado parece uma desordem e a desordem parece flutuar como no espaço, dentro de uma nave. De um lado, olho pela janela e vejo um “buraco negro” tomado pela loucura, desespero e histeria de pessoas aos gritos e prantos.

Do outro, porém, eu vejo brilho. Tão notável quanto o de uma ou mais estrelas. E o clima infernal que perturba a mente por um segundo – daqueles em que o tempo ironicamente se atreve a parar – é apaziguado, doutrinado. A consciência se acalma, o ser retorna. Aquela história de que “sempre há uma luz no fim do túnel” pode ser verdade. Não sei se a luz é onipresente, mas a visão mexe com todos os nossos sentidos. Só o fato de enxergá-la e dessa forma sentir que ainda há vida correndo pelas veias significa muita coisa. Significa esperança.

Mas sei por que o tempo não pode esperar. Faz parte de sua função, vital pra humanidade. Pra mim, pra você, pra incontáveis pessoas. É o único que pode sentir o som de nosso coração, por completo, e apagar aquela dor, a dor que todos nós sentimos, profundamente. Então, ele precisa rodar milhões e milhões de quilômetros todos os dias pra não decepcionar ninguém. Pra que nenhuma voz ecoe duvidando que ele exista, ou principalmente sofra sem vê-lo passar. Sem sentir aquela doce brisa de alguém voando de rasante. Aí se põe a correr. E faz parte de sua mágica apagar correndo, deixando rastros agradáveis de presente: as lembranças.

Estava enganado, o tempo não é um atleta. É um artista divino! Mas ainda me perco consideravelmente em seus passos. E creio que até o fim dos tempos.

É meio trágico como as pessoas têm medo de errar. Lógico, ninguém gosta de cometer erros. A sociedade, a família, os próprios colegas às vezes nos condenam por acharem que erramos, que não deveríamos fazer isso ou aquilo. No caso de amigos, é até perdoável meterem o nariz nessas coisas, afinal, nós os escolhemos para serem as melhores pessoas em quem confiamos.

Também é engraçado porque a gente cresce sabendo que “errar é humano”, e então (a não ser que seu egocentrismo tenha lhe cegado), você acaba cometendo seus tropeços, seus deslizes no meio do caminho, e sabe disso! É o primeiro a sofrer por isso. Até certo ponto, natural. Olha o tamanho da estrada que temos que percorrer! Cheia de curvas, declives, contra mãos. Cheia de poças, de buracos, de poluição. Mas também cheia de sentidos, horizontes e destinos pra acharmos um porto seguro. Bem vindo à vida, meu amigo!

E claro, nós projetamos essa vida! Você tem uma imagem do que quer conquistar daqui uns anos, você visualiza suas metas. Se vai casar ou não, que profissão vai seguir, se vai morar em casa ou apartamento, tudo. Até a pasta de dente que usa de manhã, você escolhe. O importante é descobrir se tal imagem está refletindo o que buscamos, ou se é um mero idealismo pra fugir do que estamos vivendo no momento, pra satisfazer as relações que estão ao nosso redor, coisas assim. O velho medo de mudar.

Michelangelo disse uma vez que a melhor maneira de conhecer as partes essenciais de uma escultura é jogá-la morro abaixo, e então o que há de importante permanecerá junto. Às vezes a vida é assim. Temos que cair, rolar barrancos, pra achar o chão e ver o que permanece intacto. E então sobram as coisas que realmente nos importamos, damos valor. É quando no levantamos, sabendo quem somos, é quando sentimos o que é ter fé e esperança em nosso interior. Tudo com uma visão mais clara do futuro. Tudo uma questão de perspectiva.

Pra concluir, faltou o fim do ditado: “persistir no erro é burrice”. Mas que é necessário errar pra evoluir, não tenha dúvida! É fundamental.

É estranho pensar como a mudança afeta o homem. O simples fato de pensar em “mudar”, já muda nosso comportamento. Ficamos ansiosos, temerosos, transtornados… depende muito da personalidade de cada um. Mas é também através de uma transição que nós amadurecemos.

Não, não apenas nós! Pensem na sociedade como um todo. Desde aquele carinha das cavernas, que mau sabia andar, passando pelo Egito Antigo, Grécia, Roma, França, Brasil. Tudo bem vai, o Brasil precisa mudar muito ainda! Passamos por guerras, epidemias, revoluções econômicas… e cá estamos nós, século XXI depois de Cristo. O mundo ainda é um caos, mas tem soluções bem melhores que de nossos tataravós!

E quando falamos de mudar quem somos? Sabe, a gente se apega fácil as pessoas! As coisas, aos lugares. Você pode precisar mudar de cidade pra estudar, trabalhar. Ou então fechar a boca, comer menos “porcarias” (agradáveis, mas ainda sim porcarias haha) pra controlar a pressão, os seus ‘quilinhos’ a mais… ou deixar pra trás certos amigos, romances e afins, pra que possa viver coisas novas. Às vezes dói, dói muito! Dói tanto que preferimos ficar com essa dor, da qual já somos íntimos, estamos acostumados, do que tentar outro caminho que só Deus sabe no que vai dar!

Só que aí chegamos no ponto crucial: Superação. Superar o medo de mudar pode transformar a gente. Quando você se toca disso, se olha no espelho e pensa “hoje eu quero ser diferente!”, tudo conspira melhor e a mesa vira à seu favor. Por fora, você muda sutilmente. Talvez nem seja perceptível, já que todo mundo é ocupado demais pra notar (exceto grandes amigos, aqueles que captam tudo, entende?). Mas por dentro você espera ser outra pessoa! Espera encarar a vida de outro jeito, e do melhor jeito que puder encarar.

Mudar. Ter medo é natural. Só não deixe esse medo se tornar crônico, já que a coragem vale muito mais a pena! É com ela que você vai evoluir.

(texto escrito em 10 de julho de 2006, no meu antigo flog,
mas que vem muito à calhar ultimamente…)