Outubro 2008


Ahhh, um banho quente! Quem nunca teve a ‘oportunidade’ de tomar uma bela pancada de chuva na cabeça – daquelas que surgem do nada em primaveras como a de agora – e aí, após ficar com todo o cabelo molhado, bagunçado, com a roupa encharcada e sentindo o friozinho do vento, chegar em casa e… BANHO! Tomar aquele banho morno, quente, às vezes pelando e esfumaçando, não importa! Só pra quebrar o gelo do lado de fora. E ainda, com a toalha na cabeça, ir até a cozinha preparar aquele cházinho ou capuccino, quentinho pra acompanhar o descanso…

Há contrastes inversamente calorosos. Pense naquela sala, possivelmente da sua empresa, com o ar-condicionado (que nem parece tão saudável assim de primeira, but whatever) ligado o dia todo, você de blusa, engomado, precisando sair de carro pra visitar um cliente. E então, aqueles 35º graus sutis de temperatura no painél público, o solzão “evaporando” no asfalto, carros entupindo todas as vias de tráfego e… seu carro não tem ar! Seu carro é uma sauna. E logo logo, quem fica sem ar é o infeliz que dirige-o também, irritado, suado, bem “p” da vida.

“E por que você tá escrevendo esse texto, Will? Vai me proibir de ir à geladeira depois do banho?”. Não, claro que não. Se você quer morrer com o choque térmico, pode ir lá abrir a portinha da geladeira. A dúvida compartilhada nesses linhas é quanto ao choque – não só térmico – ocorrer todo santo dia com a gente. A possibilidade de perceber, detectar, sentir coisas nos ambientes, nas pessoas, que numa fração de segundos alteram-se, viram do avesso e te dão um… choque, oras! É possível? É, é sim.

Só que, assim como os vários furos nas previsões do tempo (que geralmente parecem servir apenas pra mostrar a jornalista mais gata da redação por uns segundinhos), a gente sai por aí preparado pra tomar alguns choques e acabamos tomando outros, totalmente diferentes, totalmente inesperados pelo caminho. Pra saber se você já botou o “dedo na tomada” hoje, é só pensar numa simples frase ou situação que mudou seus pensamentos (quem sabe o humor) da água pro  vinho. Agora ficou fácil, fala sério haha!

Só posso dizer que tenho andado de guarda-chuva, por precaução, sabe?
Mas e você? Tem ficado “chocado” ultimamente?

Sonhar, acordar, comer, assustar,
Entristecer, esmaecer, calar, se entregar,
Respirar, pensar, refletir, descansar,
Levantar, discutir, e se pôr à chorar…

Acalmar, suspirar, reacender, caminhar,
Beber, dialogar, sorrir e abraçar,
Ajudar, procurar, sugerir, aprovar,
Retornar, omitir, poder se desculpar…

Voltar, deitar, me perder à olhar,
Dizer, concordar, sentir e deixar,
Olhar, parar, partir meu altar,
Rezar, pedir, pra quem sabe Deus voltar…

É apenas segunda e eu sei que tudo vai passar.

Quero tirar a “tristeza” do ar do último post, então vou falar sobre qualquer coisa! Quer dizer, quase sobre qualquer coisa uhaeuhea! Só um desabafo levinho estilo “conclusão conclusiva”, daquelas bem óbvias… xD

Nas últimas semanas – por conta do novo emprego e final de bimestre na faculdade – foi aqueeela correria! Muita coisa pra se fazer, muita coisa pra resolver de última hora, enfim, muita coisa! Muita gente tá no mesmo barco e sabe bem como é que é. Mas no fundo, não estou dizendo que isso é de todo ruim, sabe?  Não mesmo, digo até que tem sido o contrário. Essa “overdose” me deixou mais animado, mais energizado, mais vibrante, tanto pra se alegrar quanto até – em alguns casos infelizes, mas inevitáveis – brigar (e tem gente que pede muito por uma boa briga haha!).

Acho que não vou conseguir abordar exatamente o que gostaria nesse texto, mas a essência do que quero dizer é que, o que tem feito diferença nesses dias tumultuados – e pra melhor – são as pessoas que se importam comigo e que estou conseguindo aos poucos (finalmente) retribuir. Ou seja, sabe aquela história pra “gostar de quem gosta de você”, “fazer coisas por quem faz por você”? Todo mundo tem noção disso, mas igualmente, todo mundo pisa no tomate correndo atrás de gente distraída ou pior, ingrata. E é uma puta perda de tempo. É tão gostoso quando a gente consegue se desligar de pessoas inertes e se agregar àquelas vibrantes, que tão ali, do seu lado, te apoiando, te elogiando, te ajudando de verdade. Santo cérebro, às vezes a gente acerta e dá valor a quem merece, graças à Deus!

E essa postura tem me feito muito bem. E eu vou mantê-la e melhorar, fiquem de olho!

“Há mais magia na tristeza do que na alegria…”

Foi o que ouvi de uma pessoa muito importante, há alguns anos atrás. Na época, entendi pouco ou quase nada à respeito. Mas hoje, por mais que eu ainda não saiba exatamente o que isso significa, já consigo compreender melhor, um pouco melhor…

Todos nós somos instáveis. Todos nós corremos atrás de necessidades, desejos, ambições. Metas. Todos nós buscamos coisas paupáveis, ou não. Isso é inato, é algo que está em cada um de nós, desde que nascemos – inconscientemente. É a ânsia em querer mudar, em querer ter… ter aquilo que nós não temos, muitas vezes. Pra preencher algum vazio que você não vê, mas sente que, de alguma forma, existe. Mesmo que sejamos completos.

É tão irônico…

Apenas a razão vê o todo. A emoção, aparentemente, não consegue. Ela é tomada por partes, ela se faz em partes. Num momento você está cheio de alegria e num outro, está ardendo de raiva. Vendo fotos, sente a nostalgia e a beleza da saudade, ou então, a tormenta de não ter mais o que um dia já teve. Apegados ao que temos, mais apegadados ainda ao que não temos… todos somos assim. E precisamos lutar pra mesclar aos sentimentos um pouco de sanidade, de controle, de inteligência – emocional.

Hoje, vejo a tal “magia na tristeza” e sei que vai um pouco além do óbvio. Estar triste é, de alguma forma, um aviso que nos damos de que algo está errado. E se algo está errado, é o primeiro passo pra aceitarmos um segundo caminho: o da mudança. É como um grito desesperado de socorro. O mesmo vale pra sensação de vazio que, por sinal, é um pouco do que sinto enquanto escrevo isso. Mas se percebo esse estado, é porque tenho uma vontade enrustida em preenchê-lo, não é?

É, porque estar alegre dispensa qualquer tipo de magia.