Agosto 2008


“Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.”
(Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta)

Não é o texto todo, mas é a parte essêncial dele.
Quem não gostaria de, ao invés das “duas metades da laranja”, unir “duas inteiras”?

O suco deve ser muito melhor ;]

Certa vez, o Leo escreveu no fotolog dele coisas sobre um assunto muito interessante, chamada “Troca Equivalente” (Tôka-Kôka, em japonês). Ela é uma lei real da alquimia criada por Antoine Lavoisier, mas que tornou-se mesmo conhecida após o sucesso do anime Fullmetal Alchemist (que aborda bem o assunto e foi muito elogiado por isso), onde os dois irmãos protagonistas aprendem no mínimo duas coisas básicas: que tudo na vida depende de esforço e sacrifícios para conquistar o que queremos, e que apesar de teoricamente haver um equilíbrio entre isso, ele pode pender mais pra um lado ou outro de acordo com a nossa vontade.


É aquela velha história de que “tudo tem um lado positivo e negativo”. E de fato, tem, não há como negar! Sempre enxergamos problemas no nosso dia a dia, e acho que eles se tornam mais visíveis que as coisas boas pelo fato de nos incomodarem, machucarem… quer dizer, a questão é que nós não queremos ser incomodados ou sentir dor! Quem nunca pensou em ter um “vidão” vendendo coco na praia, sentado numa rede sem ter que trabalhar pra outros ou algo assim? Parece perfeito! A vida passa tranquilamente e assim você não tem problemas. Mas também, você só passa e não vive.

Então eu penso que tudo gira em torno da “desordem”, ou melhor, da mudança. E o difícil não é aturar os dois lados da moeda, mas ficar em cima da corda bamba. Querem um exemplo? Quantas pessoas têm um lar agradável, uma família perfeita, mas sofrem com gastos e dívidas desempregadas? Ou então, quantos têm um emprego maravilhoso, gerentes e empresários super bem sucedidos, mas não há ninguém, marido, esposa, filhos ou amigos pra compartilharem suas conquistas? É fácil ter sucesso pessoal, é fácil ter sucesso profissional. O desafio é ter as duas coisas. Segundo Lavoisier, isso seria impossível, porque são opostos que necessitam de dedicação e tempo para existirem, e nós temos que escolher qual preferimos para ter uma “troca equivalente”.

Mas pensando bem, num mundo tão imperfeito e complexo, como acreditar que uma lei poderia governar tudo? Pois então, melhor acreditar mais em mim, melhor que acredite mais em você.

PS: Não sou mais nenhum otaku, mas foi graças a Fullmetal que voltei a ver animes. E Death Note também, off course! ;D

Já que a print tá pequena, transcrição da conversa tensa com o Vitor, há um ano:

“Will: Vitor, como é que o MSN afeta sua vida?
Vitor: Hum… difícil falar, afeta muito. Todos os dias eu converso com diversas pessoas que conheço e se fico sem entrar, geralmente elas ficam enchendo o saco depois… (risos).
Will: E você se considera viciado?
Vitor: Sim, me considero viciado em MSN, entre todos os dias e fico horas…
Will: Woww, você não acha que precisa ir numa psicológa?
Vitor: Não não… não quero ter de tomar remédios estranhos (risos).”

* Emoticons e gEnTe qUe EScRevE aXIm
Enquanto milhares de professores tentam erradicar o analfabetismo no Brasil, um outro tipo de gente analfabeta está surgindo. É o fim dos tempos, com certeza! Os emoticons não são tão ruins assim, todo mundo tem uns e é bacana utilizar, às vezes. Mas quando começa a interferir no texto (tipo a cada 3 palavras, vem 6 smiles), virgem maria! Dá vontade de esganar o retardado do outro lado. E pode reparar que são pessoas que já não escrevem lá muito bem rss…

O segundo caso também é grave. Não por fazer parte do modo de se expressar de muitos dos auto-intitulados emos (embora isso ajude a difamá-los). É porque é ridículo mesmo! Já me disseram “poxa, mas é tão fofinho escrever daquele jeito”… afff, ‘peloamordedeus’, nem meu primo de 5 anos escreve tão mal assim! Não ligo pra quem abrevia palavras, troca uns “z” por “s”, sei lá, a linguagem na net é mais rápida mesmo. Mas tudo tem limite. Quer uma coisa fofa? Compra um colchão de penas de ganso. Ou um travesseiro se você estiver duro. Se tiver mais do que duro, compre um pão… além de fofo, ele tem miolo, coisa que quem escrevem “aXiM” não tem.

* Sobre risadas
Na era paleozóica, algum indivíduo espalhou em chats que “rs” significava risos. E pegou. Todo mundo começou a rir, inclusive quem não ria. E acredite, é uma das maneiras que mais denunciam a maneira de alguém se expressar. Se usar do jeito errado, você pode até mudar o sentido de uma frase. Sendo assim, olha só a árvore genealógica das risadas virtuais:

- Rs (ou rsrs, rsrsrs¹²³): no início, servia pra qualquer tipo de riso. Hoje indica algo mais tímido, expressa bem o quer se passar em conversas suaves e respostas encabuladas. Único cuidado é que pessoas que usam “rs” pra tudo acabam parecendo antipáticas, as vezes até falsas. Então utilize na hora certa com moderação ;D

- Haha: uma risada mais aberta, quase uma gargalhada. Eu diria que essa expressa mais aquele riso moderado, que a maioria das pessoas daria durante um diálogo comum. Porém, seqüências de “hahahahahaha” parece coisa de bruxa maquiavélica, fato! (Apesar de hoje existir o acréscimo do ‘M’: “Muaaahahahaha”).

- Hehe: quase igual ao haha, só que um pouquinho mais sarcástico. Coisa leve, mas diferencia. A intensidade do sarcasmo também parece aumentar se você fizer uma seqüência de “hehehe” maior.

- Kkkkkkkkkkk: que me perdoem minhas amizades “cacarejantes”, mas que risada mais ridícula! Mistura preguiça (só aperta – ou segura – uma tecla) com a vontade de bancar uma galinha, ou galo, quem sabe. Pra completar, só falta o indivíduo contar aquela piada do chá/café: “Pó pô pó”… “Pó pô”. Ahhhhhh, e ter pintinhos também, mas como não dá pra ver necessariamente o que o ser está fazendo do outro lado enquanto digita, talvez seja exatamente isso: botando um ovo.

- Uhauhauhauha: gargalha clássica! Tão clássica que praticamente virou uma risada comum. Corre-se o risco de você ficar tachado de bobo alegre, mas é o exagero menos nocivo de todos. Ainda dá pra usar derivações que seguem a mesma linha como “uhauehuaheea”, “oiauoiauiusiua”, ou a fantástica criação de uma amiga minha, a Luh: “HusiaHSWOIAHSWoihswoiaHSOIAHSa”. Até porque, como diria o Coringa, mestre em risadas, “Why so Serious?” =P

Por hora é só amiguinhos, espero que tenham gostado e pensado no jeito certo de rir haha!

Dia agitado esse em Beijing, não é? Minha nossa! Bem que tentei dormir, mas sem muito sono e com a curiosidade batendo na cachola, liguei a TV e fiquei lá, vez ou outra vendo os brazucas na telinha.

A parte boa…

* Vela
Não tinha visto as etapas anteriores da dupla Robert Scheidt e Bruno Prada, na classe Star, mas todo mundo deve saber do renome de Scheid. E aí vejo os barquinhos por lá, mar agitado, e uma vela na 1º posição com o “BRA” estampado. Uia! Fiquei acompanhando com um olho aberto enquanto Cléber Machado fazia uns cálculos malucos sobre as posições e medalhas. “Se os suecos chegarem 7 posições atrás, os brasileiros podem até levar uma prata, mas é uma possibilidade bem remota”. É, remota até o vento virar. Aí a zebra da Polônia, até então na lanterninha, passa a liderar o negócio, e o resto do pessoal se espreme e sai correndo! E naquela zona marítima, a Suécia – que garantia o ouro – consegue a proeza: fica em último. Melhor pra gente, claro. Pratona no peito! E os britânicos, ganham a competição (tem ganhado tudo, devem estar dopados rs).

* Volêi feminino
Que beleza, Batéeeman! Foi-se o jejum da “eterna-seleção-semi-finalista” e pau nas chinesas! Três sets à zero. Mantém a invencibilidade, mantém a moral, mantém o favoritismo. E eu diria até que elas vieram pra surpreender mesmo, sem muita pressão dos torcedores brasileiros (que até podiam esperar uma campanha boa, mas nem tanto.).  Será que o estilo “agitado e porreta” do Bernardinho vai dar lugar ao “confiante e calminho” Zé Roberto?  Sem falar que o time não perdeu nenhum set. Melhor que isso, só cada um fazendo suas vibrações, orações e simpatias pra ajudar a meninada. A final tá aí!

A parte ruim…

* Hipismo e Atletismo
“E então lá foi o cavalo, e sai correndo com o cavalo, e aí pula com o cavalo…” haha (quem lembrou da piada?). Uma pena o Rodrigo Pessoa não ter conseguido um bronzezinho, mas ele fez uma boa prova. Até o cavalinho, coitado, não teve tanta culpa assim. Deu lá seus pulos.  Foi só um golpe (ou salto) de azar. O mesmo em relação ao Jadel Gregório no salto triplo. Deu um pulão de 17 metros e 20 e tantos centímetros e ficou em sexto, sem fazer sua melhor marca. MAS CARAMBA! Eu me jogando desse jeito já quebro as duas pernas, imagina mais que isso… esses caras são cangurus disfarçados, só pode.

* Futebooorrrr
Antes, se me permitem: PUTA QUE O PARIU! Pronto, agora sim. Não tem outra palavra pra definir o jogo das brasileiras contra as norte-americanas. Olha só, até pesquisei rapidinho: 60% de posse de bola do Brasil, contra 40% dos EUA; 13 finalizações contra 11 das adversárias; 15 escanteios contra 3; e 40 desesarmes contra 22. Pena que a única coisa que pesou contra a gente foi o gol, 1 contra 0, e talvez a sorte. Injusto? Pode ser. Mas realmente, esporte é esporte, sei muito bem disso. Nessas horas, bem que a força de vontade e a garra podiam valer pontos. O estádio, lotado de chineses que pareciam torcedores canarinhos, concordaria comigo.

Por hora, o Brasil deve-se tornar o país do volêi. Então “bora” esperar pelos jogos à noite!

Depois de um texto super didático a respeito do Orkut, cá estou outra vez pra falar do 2º vilão dos viciados em PC/internet: o MSN! Claro, uma empresa tão monopolista quanto a Microsoft tinha que ter criado algo pra “ajudar” no tempo que você fica na frente do monitor. Aliás, já repararam que tanto Orkut quanto MSN originalmente são azuis? E tem gente que ainda acha que vermelho é a cor do demônio uheauhea… =x


Bom, não vou falar dos clichês como antes, mas de uns detalhes interessantes de se observar. Coisas que os internautas fazem ou deveriam fazer (ATENÇÃO: isso é só uma sátira, mas na dúvida, existe o PROCON haha!).

* Sobre o Status:
Desde os tempos do ICQ já existia o tal status, que serve não apenas pra saber quem está conectado, mas também se a pessoa está disponível pra conversar. Há várias opções, algumas até editáveis, porém podemos resumir em três:

- Online: a opção normal, digamos. Quem tá online é porque está disponível e quer conversar. Ou pelo menos é pra isso que imaginamos. Sempre tem um maluco que conecta e vai passear pela casa, ou então fica reclamando “que merda, por que tanta gente veio falar comigo?”. Talvez um cursinho de como usar o MSN resolva.

- Ocupado: essa é a comum pra quem tá fazendo mil coisas ao mesmo tempo no micro, trabalhando, ou quer inibir conversas alheias. Algo tipo “estou ocupado, não me enche o saco!”. Também é conhecida como “só converso com quem eu quiser”. Aposto que 90% dos usuários ocupadíssimos se encaixam nessa última frase. Mesmo assim, nunca chame atenção de quem está no ocupado. A não ser que você seja chegado, é muita falta de educação e normalmente é por pouca coisa. Eu te bloquiaria uheauhea!

- Ausente: pessoas sem dó nem piedade de seus PCs. Largam os coitados ao pó e ao Deus dará enquanto vão ao colégio, fazer compras ou passear no shopping. Com exceção de quem se põe como ausente pra tomar banho, comer, etc, é o tipo de usuário que só usa MSN pra benefício próprio. Se você quer falar com o indivíduo, liga no celular que vai ser muito mais fácil. Até porque, com o PC ligado o dia todo, uma hora ele vai explodir e só vai sobrar o cel mesmo.

* Sobre nicks
O seu nome de guerr… digo, o apelido na net! Todo mundo tem um nick, seja a abreviação do nome, um personagem que gosta muito, ou algo inventado mesmo. Também há as frases de músicas e piadinhas que a galera coloca junto, algumas inteiras no lugar dos próprios nicks (coisa que não recomendo, seus amigos sempre tem que adivinhar “onde está fulano” e você até perde um pouquinho da personalidade hehe).

Além de servir como identificação, é uma maneira de se expressar eficiente. Quem nunca mostrou que tava puto com um frasezinha junto ao nome? Ou o quanto está feliz? Declarações de amor, protestos nacionalistas, anúncio de gente vendendo coisas? Liberdade de expressão, rapaziada! Mas olha… o nick é público, só escreva nele o que você realmente quer que seja visto. Depois não reclama que muita gente tá perguntando se você está bem.

Ainda vale lembrar daquela mania “tão agradável” de ficar ’subindo plaquinha’, ou seja, conectando/desconectando pra – literalmente – aparecer (“Oi, tô on!”, “Oi, tô puto!”). Umas duas vezes até vai, mas passou disso, meu amigo, procura um terapeuta. Se você precisa dessa tática ralé pra chamar atenção de alguém, é porque a coisa tá difícil mesmo rs…


“Eu quase não consigo escrever sobre este signo. Isto porque eu tinha que fazer ginástica e me lembrei que tinha que dar um pulo no meu banco para resolver um problema de débito automático, quando me lembrei que hoje, terça feira é o dia da feira, aqui do lado de casa, mas caraca, eu tinha que ver um apartamento com um corretor antes do meio dia, horário da rádio. Ufa! É exatamente assim que é a personalidade, o ritmo e o cotidiano do geminiano. Pensa mil coisas ao mesmo tempo, começa cinco, e termina meia.

O geminiano é capaz de parar o sexo com você, só para ver o novo clip da Amy Winehouse e depois volta com o mesmo fogo de antes, enquanto você esta ainda enxugando as lágrimas. O povo de gêmeos tagarela muito. E não consegue guardar segredos. Se quiser prejudicar alguém, solte um veneno para o geminiano e ele vai espalhá-lo, como se fosse a imprensa marrom. E de repente, o gêmeos está ali na festa dançando, pulando e do nada, fica quieto, sério, e vai embora. É o seu outro lado, entrando em ação. Gêmeos é um signo duplo, assim, como sagitário e peixes, são os chamados signos mutáveis. É o signo que melhor representa a TPM. O Geminiano é inteligente porque absorve tudo muito rápido, tipo um Sempre Livre, mas odeia se aprofundar nas coisas. Tipo modess sim, vibrador não. Dizem que gêmeos é falso. Não é. Apenas muda rápido de idéia.

O Homem geminiano tem sempre muito o que fazer, muitos amigos, muitas atividades e pode até ter duas namoradas, porque esqueceu-se de terminar com a outra. Mas não tenha pena, mate-o do mesmo jeito. Geminianas são lindas, femininas, inteligentes e ágeis. Grande parte das modelos são geminianas, talvez por isto, se adaptem a vida de modelo que é mil testes, mil viagens, mil dietas, mil vômitos, enfim. Tenho um amigo geminiano que demora 3 horas para malhar, porque fala com toda a academia. Tenho um outro amigo que é geminiano, judeu, mas fala japonês fluentemente. Interessantessssssssss!!!! E tenho um outro que era músico formado, virou arquiteto. já foi motorista e ataca de corretor de imóveis. Entenderam? Ou seja, com o talento bem canalizado, vão longe…”

Não faço a menor idéia de quem escreveu o texto, a Helena que me passou. E apesar de não concordar com tudo, achei engraçado e simpático haha, mesmo que escrito por uma mulher (ou por um gay, julgando pelas palavras) que queira nos difamar uheauheauhea! Mas ok, a escritora aparentemente fez sua graça com o zodíaco todo. xD

Feeling.

Tá aí uma palavra que me intriga bastante. Não a palavra em si, mas seu significado. E não consigo enxergá-la apenas como “sentimento” em inglês. Pra mim há um toque místico, mágico, espiritual, ou seja lá o que raios você quiser imaginar. É um sentimento maior, daqueles que ocorrem raras vezes, com raras pessoas. É um… “feeling”.

Aliás, se me permitem citar uma historinha, talvez ajude a entender e me expressar…

Há milênios atrás, eu freqüentava um fórum sobre vocalistas de rock (acho que isso já mostrava uma pré-disposição maior ao microfone do que à guitarra, mas continuemos hehe). Criado pelo André Rimas, um puta professor de canto paulista, sempre atraiu gogós de todos os cantos do Brasil, além de curiosos – como eu. Era uma maneira de descobrir grandes vozes da música e ver umas “faíscas” rolarem em discussões haha! E foi por lá que conheci uma banda, mais especificadamente uma voz, que ouso dizer que mudou minha vida. =]

O nome dela era Pain of Salvation, conhecida até então apenas como “uma revelação suéca do prog metal”. Seu líder, um tal de Daniel Gindelöw, parecia um sujeito ousado, multi-instrumentista e um letrista de mão cheia. Suas canções variavam entre a dificuldade das relações humanas, passando por críticas (pesadas) a política norte-americana e até altas doses existencialistas inspiradas no panteão de filósofos gregos. Assim, ao longo dos anos, o “PoS” pulou de álbum em álbum sendo aclamado pela crítica, por suas mudanças e inovações sonoras, pela versatilidade e profundidade dos conceitos. O único rótulo cabível ainda era “rock/metal alternativo”. E por diversas vezes, foram considerados o “Pink Floyd Moderno”. Nada mal, né?

Mas ainda nem falei do maior destaque do conjunto: a voz de Mr. Gindelöw.

Quando ouvi pela primeira vez, apenas achei diferente. Uma voz mais grave – possivelmente um barítono – quase sussurrada na melancólica “Ashes”. Não era como os agudos operísticos (que costumava a ouvir naquela época) típicos do “metal melódico”. Era até estranha. Porém, parecia que algo daquela música ficou ressoando na minha cabeça, algo cativava, e quase sem perceber, eu iria cantarolar o refrão mezzo-sombrio pelos cantos da casa por diversos dias. E só. Porque ainda não existia Youtube, Orkut – e minha pessoa não tinha coragem de baixar os álbuns sem comprá-los (também não haviam tantos sites quanto hoje pra isso rs).

Então surgiu a Luciana. Aluna de canto lírico do Conservatório Souza Lima, bixo em Fonoaudiologia na USP e fã do PoS de carteirinha. Ela foi a culpada haha! Muito do que eu sei sobre música devo a essa menina, pra lá de gabaritada, e aos poucos também conheci muito do Pain of Salvation através dela. Descobri que as letras daqueles caras me ajudaram muito naqueles tempos. Descobri que o Daniel era ninja em drives, vibratos, falsetes e outra bizarrices vocalísticas. Descobri o quão a técnica dele era apurada, mas que seu sentimento ultrapassava – e muito – isso. Descobri “o” intérprete.

E lembro de mais duas coisas…

Um tópico no fórum, criado não sei por quem, pra falar sobre o Daniel após uns shows do PoS no Brasil. Diversos foram os elogios, até então não unânimes, mas que se tornaram unânimes ao decorrer da discussão e de vídeos como “Iter Impius”;

A frase da Luciana, suspeita – é verdade – mas marcante: “Eu fico até meio dividida pra falar desse cara. Por um lado, estou extremamente feliz por ter conhecido o melhor vocal do mundo! Por outro, me bate até uma angústia de saber que aos meus 20 e poucos anos, já conheci o melhor do mundo! E agora? Vou ter que procurar outro alguém no Universo? (risos)”

Resumo da Ópera:

Quem chegar até aqui, vai descobrir que esse texto não tem nada haver com o Pain of Salvation. Ou, ok, tem haver em partes rs! O Daniel é meu vocalista preferido, até hoje, me influênciou bastante e eu morro de raiva de não conseguir fazer o que ele faz rs! Mas além de tudo, ele me mostrou esse “feeling”, essa raridade de sentimento, de compatibilidade, de sincronia que nós temos por alguém ou por algo, em algum momento. Percebi isso com essa banda (e com o L’arc~en~Ciel) em relação a música, e hoje percebo com outras coisas. É aqui que eu queria chegar.

O feeling surge quando há pessoas, porque é inerente a nós, a vida. Não existiria na música se canções fossem compostas por pedras haha! E o que mais vale nesse mundo são nossas relações pessoais, com aqueles que nos querem bem e que nós amamos. Seja alguém de longa data, seja alguém que você conheceu pela manhã. Dá pra sentir algo diferente com esses “alguém(s)”, há esse toque especial. Então despertamos o feeling. É o que percebo com contáveis (e notáveis) amigos. É o que percebi, pela última vez, a quase duas semanas. Uma sensação agradável do tipo que tranquiliza, que completa, não por ser perfeita, mas por agregar qualidades que – falando por mim – às vezes coincidem ou simplesmente me faltam. E quando junto, não faltam mais.

E dá aquela dor no peito de pensar “Meu Deus, eu encontrei! Encontrei o feeling! Mas e agora?  Eu mereço isso? Corro o risco de perder isso? Parece que não faz mais sentido procurar e procurar.  É um brilho tão distinto, tão louvável, que não posso descrever em palavras. É inenarrável! Por favor, ao menos me dê sabedoria pra manter esses tesouros que achei”.

Pois é. Se existe uma felicidade que de tão enorme até dói, ela está descrita nessa frase/oração acima. Dá medo que roubem algo tão belo de nós, o que é pura besteira, claro. Sentimentos tem o dom de se multiplicar. E embora minha breve experiência de vida tenha me ensinado a dar valor ao concreto, e que sempre podemos nos surpreender além do imaginado, ela me ensinou também que intuição e oportunidade não são apenas coisa de mãe ou contar com a sorte.  São coisas palpáveis e sólidas em diversos momentos. Somos nós quem criamos, somos nós que concretizamos.

Portanto, talvez seja exagero dizer que o Daniel Gindelöw é o melhor vocalista do mundo, certo? Talvez. Porém, pra mim ele ainda é, e mesmo se um dia deixar de ser, ainda será digno do trono. É o que penso sobre todos os momentos cheios de feeling pelos quais tenho passado. São os melhores! Vem daqueles lugares e pessoas que são  e continuarão sendo as melhores, seja no alto do pódio, seja num degrauzinho ao lado. E ao meu lado, eu espero, de coração.

Paro por aqui sem conseguir definir direito o tal do “feeling”, mas sabendo que certamente ele existe.

(E post dedicado à Helena, vulgo “Rainha de Troiá sem Troiá”, que hoje completa 18 aninhos e é, de alguma forma, parte desses últimos tesouros que encontrei e que não deve saber, mas já trás um brilhinho a mais ao meu caminho. Parabéns Lê!).

Queria eu poder tocar o tempo. Trazê-lo pra perto, pra bem perto, e então batermos um papo. Desses que você já imaginou com Deus, numa mesinha de bar, talvez bebendo vinho ou um tradicional suco-natureba. Só que Deus é Deus né, e como o tal do tempo é criatura Dele, suponho que fosse mais fácil agendar um papinho com a mesma do que com a “Chefia”. Mas não, não é. O tempo é ágil, é sagaz. É quase furtivo. Ele se esvai, sem receio do futuro ou do que vai deixar pra trás. O tempo não tem medo de correr. Mas eu tenho.

E enquanto ele dá seus passos contínuos e simétricos à procura de um tal ancião infinito, eu sinto que posso encontrá-lo. Sinto que sua essência paira ao meu lado. E que posso falar, cochichar no seu ouvido por um segundo. Dizer “Eii por que você corre tamanha maratona sozinho, se eu estou aqui, estagnado, me sentindo estagnado. Por que não me leva junto com você? E então terás companhia e eu terei o dom de ver tudo passar como um filme, numa seqüência. Sem que você corra e eu sinta que estou girando em círculos, que perdi o fio à meada”. Uhum, talvez pareça barganha.

No fundo, o tempo é tão velho quanto o infinito, então, talvez não me ouça muito bem. Apenas banca o atleta todo santo dia. Ou não. Há um aperto que sinto no coração ultimamente e que, às vezes, também dói na alma. É uma mistura de ansiedade positiva com uma angústia, já não tão positiva. É dualístico, quase um carma. O que está parado parece uma desordem e a desordem parece flutuar como no espaço, dentro de uma nave. De um lado, olho pela janela e vejo um “buraco negro” tomado pela loucura, desespero e histeria de pessoas aos gritos e prantos.

Do outro, porém, eu vejo brilho. Tão notável quanto o de uma ou mais estrelas. E o clima infernal que perturba a mente por um segundo – daqueles em que o tempo ironicamente se atreve a parar – é apaziguado, doutrinado. A consciência se acalma, o ser retorna. Aquela história de que “sempre há uma luz no fim do túnel” pode ser verdade. Não sei se a luz é onipresente, mas a visão mexe com todos os nossos sentidos. Só o fato de enxergá-la e dessa forma sentir que ainda há vida correndo pelas veias significa muita coisa. Significa esperança.

Mas sei por que o tempo não pode esperar. Faz parte de sua função, vital pra humanidade. Pra mim, pra você, pra incontáveis pessoas. É o único que pode sentir o som de nosso coração, por completo, e apagar aquela dor, a dor que todos nós sentimos, profundamente. Então, ele precisa rodar milhões e milhões de quilômetros todos os dias pra não decepcionar ninguém. Pra que nenhuma voz ecoe duvidando que ele exista, ou principalmente sofra sem vê-lo passar. Sem sentir aquela doce brisa de alguém voando de rasante. Aí se põe a correr. E faz parte de sua mágica apagar correndo, deixando rastros agradáveis de presente: as lembranças.

Estava enganado, o tempo não é um atleta. É um artista divino! Mas ainda me perco consideravelmente em seus passos. E creio que até o fim dos tempos.

“Ressoe além do mar, oh Voz do Vento!
ressoe além do mar…
Teus passos já não são tão mais os mesmos
me ensine novamente a navegar…”
(Z’ephyruS)

É meio trágico como as pessoas têm medo de errar. Lógico, ninguém gosta de cometer erros. A sociedade, a família, os próprios colegas às vezes nos condenam por acharem que erramos, que não deveríamos fazer isso ou aquilo. No caso de amigos, é até perdoável meterem o nariz nessas coisas, afinal, nós os escolhemos para serem as melhores pessoas em quem confiamos.

Também é engraçado porque a gente cresce sabendo que “errar é humano”, e então (a não ser que seu egocentrismo tenha lhe cegado), você acaba cometendo seus tropeços, seus deslizes no meio do caminho, e sabe disso! É o primeiro a sofrer por isso. Até certo ponto, natural. Olha o tamanho da estrada que temos que percorrer! Cheia de curvas, declives, contra mãos. Cheia de poças, de buracos, de poluição. Mas também cheia de sentidos, horizontes e destinos pra acharmos um porto seguro. Bem vindo à vida, meu amigo!

E claro, nós projetamos essa vida! Você tem uma imagem do que quer conquistar daqui uns anos, você visualiza suas metas. Se vai casar ou não, que profissão vai seguir, se vai morar em casa ou apartamento, tudo. Até a pasta de dente que usa de manhã, você escolhe. O importante é descobrir se tal imagem está refletindo o que buscamos, ou se é um mero idealismo pra fugir do que estamos vivendo no momento, pra satisfazer as relações que estão ao nosso redor, coisas assim. O velho medo de mudar.

Michelangelo disse uma vez que a melhor maneira de conhecer as partes essenciais de uma escultura é jogá-la morro abaixo, e então o que há de importante permanecerá junto. Às vezes a vida é assim. Temos que cair, rolar barrancos, pra achar o chão e ver o que permanece intacto. E então sobram as coisas que realmente nos importamos, damos valor. É quando no levantamos, sabendo quem somos, é quando sentimos o que é ter fé e esperança em nosso interior. Tudo com uma visão mais clara do futuro. Tudo uma questão de perspectiva.

Pra concluir, faltou o fim do ditado: “persistir no erro é burrice”. Mas que é necessário errar pra evoluir, não tenha dúvida! É fundamental.

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